A caçada do emu por Luiz Marins

Anderson Pádua, 6 de junho de 2016

Muitas pessoas têm curiosidade de saber o episódio da caçada do

EMU que fiz com os aborígines australianos da ilha de Bathurst em

1972, quando estudava antropologia na Austrália. Este episódio, como

sempre disse, ensinou-me o valor do foco. Desde então tenho visto

que pessoas e empresas que têm foco, têm sucesso.

Aqui vai a narração do episódio:

Na noite anterior à caçada, os aborígines australianos, com quem

vivi e estudei, fazem a dança da caça onde uma parte do grupo faz

o papel da caça e outra parte o dos caçadores. Nessa dança eles

acreditam “caçar de fato” o animal. Após a “caçada” (na dança) eles

comemoram, fazem as chamadas pinturas rupestres (desenham

o animal caçado nas paredes das cavernas ou nas árvores) e vão

dormir. No dia seguinte, se levantam e vão “apanhar o animal”, com os

bumerangues e lanças próprios para (agora sim) caçar o animal que

acreditam já ter sido devidamente “caçado” durante a dança na noite

Um certo dia os aborígines me convidaram para a dança do Emu

(Emu é uma avestruz, uma ema que existe naquela parte do mundo)

pois iríamos caçar no dia seguinte. Fizemos a dança como descrevi

No dia seguinte deram-me a incumbência de achar as pegadas de

emu. Ensinaram-me como eram as pegadas. Ao achar alguma pegada

de emu, eu deveria chamar os caçadores. Os aborígines são exímios

examinadores de pegadas. Pela análise eles sabem exatamente onde

está o animal para apanhá-lo.

Eu ia à frente do grupo. De repente encontrei umas pegadas. Eram

na verdade de canguru. Chamei a todos. Eles vieram, viram que

as pegadas não eram de emu e sim de canguru e disseram: Essas

pegadas são de canguru. Eu disse: mas canguru não é mais gostoso

que emu? Eles responderam: Sim, é. Mas nós hoje estamos caçando

EMU e não canguru. E se espalhavam novamente.

Mais um pouco e encontrava outras pegadas. Sabia que não eram de

emu, mas mesmo assim chamei os caçadores. Eles disseram: Essas

pegadas são de wallabies (um pequeno canguru). Eu disse: mas

wallabies não são mais gostosos que emu e até mais gostosos que

canguru? Sim, responderam eles, mas hoje estamos caçando emu

e não wallabies ou cangurus. Outro dia voltaremos para caçar outro

animal. Hoje estamos caçando emu!

Na quarta vez que parei a caçada e as pegadas não eram de emu,

eles me disseram:

– Nós estamos caçando EMU. Fizemos a dança do EMU, trouxemos

os bumerangues de EMU, as lanças de EMU. Se você parar a caçada

cada vez que encontrar qualquer pegada, nós não vamos caçar nem

emu, nem canguru, nem wallabies. Outro dia nós voltaremos para

caçar cangurus ou wallabies. Hoje estamos caçando EMU.

Foi então que eu aprendi a razão de todo primitivo ir caçar e voltar

com a caça rapidamente. Eles sabem exatamente o que estão

caçando e não se desviam do foco.

Na empresa e no nosso dia-a-dia é a mesma coisa: um objetivo e

metas claros e definidos, e muito foco nesses objetivos e metas; se

tivermos os instrumentos certos para atingí-los (ou armas adequadas);

pessoas certas com as habilidades necessárias, treinadas; dedicação

e entusiasmo; com certeza, atingiremos nossos objetivos, por mais

audaciosos que pareçam ser.

Assim, o foco, é, sem dúvida, um dos principais fatores de sucesso de

pessoas e empresas. Pense nisso. Tenha Foco. Sucesso!

 

Por: Luiz Marins